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A FORÇA DE DOAR

As pessoas são realmente felizes quando estão livres da escravidão, da opressão, bem como livres para tomar suas próprias decisões. Da mesma maneira, as pessoas se perguntam como reconciliar o conceito de livre escolha com a existência de um poder maior - o Criador.

O único desejo do Criador é para que você e eu nos sintamos realiza­dos e felizes e  esse estado só pode ocorrer quando chegarmos ao nível do Criador. Isso somente pode ocorrer quando o nosso desejo se igualar ao desejo do Criador de dar prazer.

 A reciprocidade é a que mais nos aproxima da perfeição e do desejo do Criador para conosco. Então, como podemos reconciliar essa ideia de livre arbítrio com aquilo que o Criador deseja para nós?

Para entender o tipo de prazer que o Cabalista recebe, é necessário en­tender um conceito básico da Cabala: a força da doação.

 “A força de doação da Cabala é chamada “Criador”, e aquilo que ela cria é chamado” criação”. O ser criado somos nós, a humanidade como um todo e cada um de nós pessoalmente. E esta revelação do Criador para a criatura é a essência e o propósito de toda a criação

 

A recepção em Cabala é a percepção do mundo espiritual. É um mundo invisível aos nossos cinco sentidos, mas um que certamente experimenta­mos. Se tudo o que buscamos depende de nossos sentidos, então é lógico que para sentirmos o mundo espiritual precisamos de um sentido especial para percebê-lo. Em outras palavras, não precisamos procurar nada fora de nós mesmos, mas sim cultivar uma percepção que já existe dentro de nós e que está adormecida. Na Cabala, essa percepção é chamada de sexto sentido

A Cabala explica que o Criador é be­nevolente e que Ele quer nos ou­torgar prazer infinito sem parar. Porque o Criador é benevolente e Ele nos criou com um desejo infinito e ilimitado de receber prazer, Ele quer outorgar. Na Cabala, isso é chamado “a vontade de receber.”

Em outras palavras, temos a capacidade, o potencial e até mesmo o desejo inconsciente de nos conectar com o Criador e receber Seus pra­zeres aumentando nossa alegria de viver.

Por outro lado, nascemos egoístas e o fato de termos nascidos egoístas não significa que continuaremos a ser egoístas para sempre. Lembre-se que o Criador é benevolente; Ele não tem nada em sua mente a não ser outorgar. Consequentemente, Ele criou criaturas que somente querem receber. Essas criaturas começam a receber aquilo que Ele outorga, mais e mais ainda sem fim.

Enquanto a vontade de rece­ber se desenvolve nas criaturas, uma transformação quase mágica acontece. Elas não querem somen­te aquilo que o Criador outorga, mas elas também querem ser de fato Criadores.

Os Cabalistas dizem que a vontade da criança de ser um adulto nasce do desejo da criatura de se assemelhar ao seu Criador.

Se o Criador que você entende é todo doação, todo benevolência, você pode ver como o egoísmo extremo de querer ser “como o Criador” pode se tornar em altruísmo porque é o que Ele é. Na Cabala, a capacidade de ser como o Criador é chamada “atingindo o atributo de outorgar.”

Isso pode soar paradoxal, mas o desejo mais egoísta de uma pessoa é ser como o Criador: totalmente altruísta.

A Cabala nos ensina que mesmo o Criador querendo se relacionar com a Sua criação, Ele se ocultou de nós para nos dar a impressão de livre arbítrio.

Poderíamos então considerar que agimos, pensamos e escolhemos, independentes da presença do Criador. Nossas escolhas parecem ter sido feitas do nosso próprio querer e vontade.

Pensemos assim: O Criador planejou toda sua vida, até detalhes como o que você vai almoçar hoje. Mas se o Criador planeja de antemão todas as nossas decisões e movimentos, será que o livre arbítrio é realmente livre? A resposta é que as nossas escolhas são livres quando vistas da nossa perspectiva. O fato de que o Criador saber aquilo que decidiremos não significa nada para nós, enquanto ainda não sabemos o que escolheremos.


A Cabala divide o complexo inteiro de desejos humanos em cinco graus:


Nível 1. São os desejos naturais básicos: comida, abrigo e sexo

Nível 2. Lutando para enriquecer.

Nível 3. Necessidade de poder e fama.

Nível 4. Sede por Instrução.

Nível 5. O desejo para a espiritualidade

 

Mesmo o desejo  satisfeito vem uma sensação de “vazio”, já se sentiu assim? Quanto mais o processo se repete, mais a pessoa é levada a questionar o benefício desse processo de vazio-satisfação-vazio.

Quando desistimos de satisfazer os nossos desejos de certo nível, tentamos novamente no próximo nível. E quando os desejos dos pri­meiros quatro níveis terem provado ser todos ineficientes em nos dar uma satisfação duradoura, começamos a perguntar: “Existe algo mais na vida do que correr atrás de bens materiais e posição social?

Quando isso acontece, começamos a querer espiritualidade. Na Cabala, esse estado é chamado “o aparecimento do ponto no coração”

O que é isso? Ponto no coração é o desejo pela Luz – pelo Criador. Assim, quando entendemos a impossibilidade de satisfazer o desejo pelo Criador através de meios mundanos, a pessoa chega ao estado final da evolução da vontade de receber.

Quando isto acontece, a pessoa sente muitas vezes a escuridão dentro de si. Mas isto não é porque ele ou ela tenha piorado, não; e sim que essa pessoa tornou-se mais corrigida, atraiu mais Luz, em novos lugares de sua alma. Mas como esses lugares ainda não foram corrigidos eles dão o sentimento de “escuridão”. Quando aparecem trevas, é um sinal claro de que você fez progressos e que a Luz certamente virá a seguir.

Esse é o porquê do mundo parecer cada vez mais hostil. O Criador assim o fez para que você e eu comecemos a corrigir o mundo e a nós mesmos. Se Ele não tivesse agido assim, possivelmente estaríamos sentados embaixo de uma árvore desfrutando de um lindo dia tomando sol. Apesar disso parecer ótimo, não o levaria nem perto de se assemelhar ao Criador, que é o motivo por que Ele nos criou em primeiro lugar.

O Criador quer que participemos da nossa própria criação.

Na Cabala não existe nenhum outro meio de contatar o Criador – senão após nos darmos conta de que nossos atributos são negativos. Em outras palavras, o reconhecimento do mal é o começo da revelação do bem.

Essa explicação do objetivo do Criador deixa uma pergunta em aberto: Se Ele quer nos dar prazer, o que há de errado em tomar sol debaixo da árvore, se isso nos dá prazer?

Bem, não há nada de errado nisso, se é realmente o que você quer. Mas se você não consegue mais ter prazer em tomar seu sol, aí talvez você precise de algo mais, e talvez esse algo mais a Cabala pode responder a você.

A Cabala é para aqueles que perguntam (mesmo inconscientemente),  “Qual é o significado da minha vida?”

 

Quando você se der conta que você é parte de uma só alma e que todos na humanidade são também partes dessa alma, você começa a pensar que talvez seja do seu interesse ajudá-los.

Mas se o Criador fez um mundo para outorgar Sua abundância aos seres cria­dos, então por que está errado querer tudo “para si”? Por que é visto como mal ou egoísmo? Por que era necessário criar um mundo tão imperfeito e uma criação tão corrupta que devem ser corrigidos?

A Cabala explica que o Criador recebe prazer ao dar prazer aos seres que criou. É a reciprocidade... Dessa maneira, todos pensam no próximo, não em si mesmos ou em si mesmas, e todos recebem prazer da mesma forma. Esse é o ponto central dessa discussão hoje

 

Na Cabala o pensamento é a intenção onde tudo se inicia. Na vida,  pensamentos são as considerações feitas pelo desejo de receber. O desejo de receber por si só não é ruim – foi assim que você e eu fomos criados e quando usado corretamente, é benéfico para nós e para o Criador. A intenção na qual usamos nosso desejo é onde devemos nos atentar.

Em outras palavras, devemos estar cientes do porquê fazemos o que fazemos, que proveito queremos tirar disso, e a quem queremos agradar ao receber – a nós ou ao Criador?

Essa intenção gera um pensamento e os pensamentos determinarão toda realidade. Então, a única parte que deve ser corrigida na realidade são nossas intenções. É por isso que os Cabalistas dizem que não importa o que você faz, mas sim o que você quer alcançar através do que faz.

 

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